El Niño 2026/2027: boletim da CNM reforça alerta para prevenção e preparação dos municípios

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgou, no dia 16 de setembro, o Boletim El Niño 2026/2027, com dados atualizados sobre os impactos de desastres no país e orientações para que as administrações municipais reforcem as ações de prevenção e preparação para os próximos meses.

A publicação ganha relevância para os municípios do Amazonas diante das previsões climáticas mais recentes. No início de setembro, o Oceano Pacífico Equatorial já apresentava condições de El Niño e os modelos indicavam que o episódio poderia permanecer até o trimestre março-abril-maio de 2027, com possibilidade de atingir intensidade muito forte. Para o trimestre setembro-outubro-novembro de 2026, a previsão sazonal aponta maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte do país, incluindo a Região Norte, além de temperaturas acima da média em todo o Brasil.

Desastres afetaram 4,7 milhões de pessoas em dois meses

De acordo com o levantamento da CNM, mais de 4,7 milhões de pessoas em 641 municípios foram afetadas por desastres relacionados a decretos de situação de emergência ou estado de calamidade pública entre 1º de julho e 31 de agosto de 2026.

Nesse período, foram registradas 11 mortes e cerca de 49 mil pessoas precisaram deixar suas residências. Os prejuízos econômicos ultrapassaram R$ 8,2 bilhões, sendo aproximadamente R$ 6,5 bilhões em perdas privadas, R$ 1,6 bilhão em prejuízos públicos e R$ 182,8 milhões em danos a unidades habitacionais.

A agricultura concentrou a maior parcela das perdas, estimadas em aproximadamente R$ 4,16 bilhões. Também foram registrados prejuízos na pecuária, no comércio, nos serviços e na indústria.

Região Norte teve R$ 772,8 milhões em prejuízos

Na Região Norte, os prejuízos registrados no período chegaram a aproximadamente R$ 772,8 milhões. O boletim destaca um cenário de contraste entre excesso e escassez de água: em julho, o Amazonas enfrentou inundações, com danos a moradias e milhares de pessoas afetadas, enquanto, em agosto, a seca se intensificou no Acre.

Para os próximos meses, o acompanhamento das condições climáticas torna-se especialmente importante. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) informa que os modelos apontam para um El Niño muito forte, com o período de maior aquecimento previsto entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

O [Painel El Niño 2026/2027] Painel El Niño 2026/2027 do Cemaden reforça a necessidade de monitoramento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e dos riscos associados ao fenômeno.

Nas regiões Norte e Nordeste, entre os possíveis impactos associados ao El Niño estão estiagem, seca agrícola, redução da disponibilidade hídrica e aumento do risco de incêndios florestais. (

Municípios devem reforçar ações preventivas

A CNM orienta os municípios a fortalecerem a prevenção e a preparação para o El Niño 2026/2027. Entre as medidas recomendadas estão a atualização dos planos de contingência, o mapeamento de áreas de risco, a definição de rotas de evacuação, a organização de abrigos e o aprimoramento da comunicação com a população.

A entidade também recomenda o fortalecimento das equipes locais de Defesa Civil, a realização de vistorias em áreas vulneráveis, a manutenção de sistemas de monitoramento e alerta e a articulação entre municípios, estados e União para resposta a situações de emergência.

Recursos para proteção e defesa civil

O boletim também apresenta dados sobre os recursos destinados às ações municipais de proteção e defesa civil. Segundo a CNM, entre 2010 e agosto de 2026, foram previstos pela União R$ 38,7 bilhões para ações municipais de defesa civil. Desse montante, R$ 10,6 bilhões foram efetivamente repassados às prefeituras dentro dos respectivos exercícios orçamentários, o equivalente a 29,3% do total informado.

A publicação destaca ainda que, apesar do anúncio federal de R$ 1,3 bilhão para ações relacionadas ao El Niño 2026/2027, não havia, até a elaboração do boletim, definição de uma parcela específica para transferência direta aos municípios. Os recursos para resposta e recuperação de desastres permanecem vinculados aos mecanismos próprios de Proteção e Defesa Civil.

Os gestores municipais podem consultar o conteúdo completo e as orientações técnicas disponibilizadas pela Confederação Nacional de Municípios para apoiar o planejamento das ações de prevenção e resposta aos possíveis impactos do fenômeno.

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