Promovida pela AAM, programação reuniu gestores, técnicos, instituições e representantes sociais para avançar na elaboração dos diagnósticos de resíduos sólidos dos 61 municípios do interior do Amazonas.
A Associação Amazonense de Municípios (AAM) encerrou, nesta sexta-feira (28), em Manaus, a programação da 1ª Oficina Técnica do Projeto Diagnóstico Municipal de Resíduos Sólidos (DMRS). Realizado na Escola SENAI Antônio Simões, o encontro foi marcado pela apresentação da metodologia do projeto, pelo compartilhamento de experiências municipais e pela escuta de gestores, técnicos, especialistas e representantes sociais.
Na abertura, o presidente da AAM, Anderson José de Sousa, reforçou o compromisso da entidade em apoiar os municípios na produção de informações técnicas que contribuam para o planejamento, a tomada de decisões e o desenvolvimento de soluções adequadas à realidade amazônica. O vice-prefeito de Tapauá também destacou a importância do DMRS para o fortalecimento da gestão municipal e para o enfrentamento dos desafios relacionados aos resíduos sólidos no interior do estado.
A mesa institucional contou ainda com a participação de Nayara Brandão Barbosa, representante do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam); Gustavo Rebouças, secretário-executivo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb); Lucinaldo Santos, secretário municipal de Obras de Nhamundá; João Paulo Fonseca, secretário municipal de Meio Ambiente de Nhamundá; e Irineide Souza, representante do Movimento Nacional dos Catadores no Amazonas.
Metodologia e etapas do projeto
Durante a programação, a engenheira ambiental da AAM Jane Crespo apresentou a estrutura e as etapas de execução do DMRS. O trabalho prevê a elaboração de um diagnóstico específico para cada um dos 61 municípios do interior do Amazonas, considerando cinco dimensões: geração, coleta, transporte, tratamento e disposição final dos resíduos sólidos.

A execução do projeto terá duração de 365 dias e compreenderá levantamento de dados, visitas técnicas, análise das estruturas e dos serviços existentes, identificação das dificuldades territoriais e logísticas, participação social e elaboração dos relatórios municipais. As informações produzidas poderão subsidiar a atualização dos Planos Municipais de Saneamento Básico e orientar políticas públicas e investimentos.
Experiências de Nhamundá e Presidente Figueiredo
O município de Nhamundá apresentou a experiência desenvolvida desde 2021 com coleta seletiva, educação ambiental e participação comunitária. O secretário municipal de Meio Ambiente, João Paulo Fonseca, destacou que a iniciativa alcançou 1.405 famílias em 2025, envolvendo moradores das áreas urbana e rural, além de comunidades indígenas.

Entre os resultados apresentados estão a formação de multiplicadores ambientais, a participação de escolas e comunidades e o envio de aproximadamente 30 toneladas de materiais recicláveis para Manaus. A experiência demonstrou como a mobilização local e as parcerias podem contribuir para ampliar a destinação adequada dos resíduos.
Na programação da tarde, o secretário municipal de Meio Ambiente de Presidente Figueiredo, Marco Petillo, apresentou as medidas adotadas pelo município para enfrentar os desafios relacionados à disposição final dos resíduos. Presidente Figueiredo gera aproximadamente 45 toneladas de resíduos por dia e mantém a coleta em toda a área urbana e em 24 comunidades rurais.

O município detalhou ações integradas entre as áreas de Meio Ambiente, Saúde e Infraestrutura, incluindo compactação e cobertura dos resíduos, controle de incêndios, separação dos resíduos dos serviços de saúde, monitoramento ambiental e planejamento para recuperação da área atualmente utilizada.
Oitivas ampliam a participação
As oitivas realizadas durante a oficina abriram espaço para que representantes municipais, instituições, especialistas e organizações sociais apresentassem experiências, necessidades e propostas. As contribuições permitirão que os diagnósticos considerem não apenas os dados técnicos, mas também as condições enfrentadas diariamente em cada território.
Participaram desse momento Carlos Brandão, chefe de Departamento de Parintins; Elismar Marciel, consultor ambiental, e Aleanne Sampaio, procuradora de Uarini; Ketily Lobo, assessora de Carauari; Mary Moreira, advogada especializada em resíduos sólidos e representante de Manacapuru; e Minoru Kodama, consultor.
Também contribuíram Marcela Vieira, representante da Rede de Catadores da Amazônia Legal; Ana Cristina Campos e Paulo Cabral Barbosa Júnior, representantes da Sedurb; e Daniel Santos, biólogo e embaixador do Instituto Lixo Zero Brasil.
Com o encerramento da oficina, o projeto avança para as próximas etapas de levantamento, sistematização e análise das informações municipais. O objetivo é produzir diagnósticos que retratem as diferentes realidades do interior e auxiliem os gestores na definição de soluções tecnicamente adequadas, ambientalmente responsáveis e compatíveis com as particularidades do Amazonas.
Em caso de dúvidas, os gestores podem entrar em contato pelo e-mail projeto.dmrs@aam.org.br.



